SÃO PAULO – O PontoFrio.com, braço de comércio eletrônico (e-commerce) da Globex Utilidades S.A. -holding que administra a marca Ponto Frio, segunda maior varejista de Frio, segunda maior varejista de eletroeletrônicos e móveis do País, concorrente da Casas Bahia-, acirra a concorrência com players do segmento ao iniciar, em novembro, a operação de seu site totalmente reformulado com a meta de alavancar sua participação nesse mercado que prevê movimentar R$ 8,5 bilhões, segundo a consultoria de especializada e-bit. Há cerca de dois meses foi criada a Pontofrio.com Comércio Eletrônico S.A., especialmente para gerir os negócios no ambiente virtual, com autonomia em relação ao varejo físico.
Segundo Germán Quiroga, CEO do PontoFrio.com, “a meta é ampliar, no segmento, a fatia de mercado da companhia, que hoje está em torno de 4%, e cujo líder possui mais de 50% das vendas no País”, detalhou, em entrevista ao DCI. Ele refere-se certamente à B2W, que detém a Americanas.com, a Submarino.com e o Shoptime, e que faturou mais de R$ 5 bilhões no ano passado.
Seguindo o rastro desta gigante, a vice-liderança do segmento é disputada por outras varejistas como Extra.com.br, Magazine Luiza, Pernambucanas e Lojas Colombo, por exemplo, com faturamento de R$ 200 a R$ 400 milhões. Apesar de a B2W ainda dominar o e-commerce brasileiro, o executivo ressalta que “esta é uma bela conquista, mas de difícil sustentação”.
Quiroga lembra que, nos Estados Unidos, a Amazon, importante player norte-americano na área, não ultrapassa dos 15% de participação. Por isso, a tendência é de que ocorra descentralização, tendo em vista a estréia do Wal-Mart no final de setembro e a expectativa em torno da chegada da Casas Bahia e do Carrefour, mantidas de pé pelas empresas para ainda este ano.
Diante do contexto da crise internacional, o dirigente do Ponto Frio reforça que a empresa está “capitalizada e com fôlego para dar um importante salto e aproveitar o potencial do setor”. Mesmo não revelando valores, Quiroga afirma que os investimentos realizados tornarão o site bastante competitivo frente aos demais concorrentes. Tudo isso, é claro, mirando o potencial de vendas do fim de ano, a época mais aquecida de vendas do varejo.
A área de tecnologia foi a que mais recebeu aportes da holding para a nova operação, marcada para o mês que vem. Foram adotados mecanismos mais modernos para aumentar as opções de pagamento e instrumentos antifraude. Prova da importância desta operação para a companhia é que a Globex contratou, além de Germán Quiroga, outros experientes executivos do setor, como Eduardo Chalita, Renato Drumond e Eduardo Castro, que passaram por redes como a Americanas.com e a Sack’s entre outras empresas.
Wal-Mart
Terceira maior rede supermercadista do País, o Wal-Mart, que investiu R$ 25 milhões no seu projeto de e-commerce, avalia o desempenho da primeira quinzena como acima das expectativas. “A taxa de conversão de vendas está muito boa e a interação dos clientes com as ferramentas disponibilizadas ainda é crescente”, avaliou Flávio Dias, diretor da área de e-commerce do Wal-Mart Brasil.
A respeito do estoque da loja virtual para as vendas natalinas, o executivo garantiu que a maior parte dos produtos foi adquirida no decorrer do ano, antes da alta do dólar. “Não haverá problema com a venda de importados para esse período, estamos abastecidos. Este é o procedimento correto que uma empresa do porte da nossa deve tomar”, avalia.
Dias disse que, em função do volume de vendas esperado para a data sazonal, a empresa fará contratações extras para suprir a demanda no setor logístico e no call center, onde o atendimento é 24 horas. É também para essa época que a varejista intensificará seu esforço de divulgação da loja virtual. A estratégia para ampliar a visibilidade é investir em portais, buscadores de preço e links patrocinados.
O diretor-geral da consultoria e-bit, Pedro Guasti, confirma que o setor tem um enorme potencial e deve continuar atraindo novos players. “Tivemos, entre 2001 e 2007, um crescimento de mais de 1.200% no faturamento, nada comparável ao de qualquer outro setor da economia. Estamos falando de um faturamento que partiu de R$ 550 milhões, chegando, em 2007, a R$ 6,3 bilhões”, diz. A expectativa este ano é fechar com um incremento na casa dos 35% frente aos resultados conquistados no ano passado.
Em novembro, o PontoFrio.com estreará sua nova configuração no comércio virtual, para brigar com B2W, Extra.com.br, Magazine Luiza, Pernambucanas e Lojas Colombo. (DCI, 21.10.2008)